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Em entrevista ao portal UOL VivaBem, o dermatologista Carlos Barcaui, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia, comentou sobre o linfoma cutâneo de células T, um câncer raro que pode ser confundido com problemas comuns de pele.

Uma doença que imita outras

Manchas avermelhadas, descamação e coceira costumam ser associadas a alergias ou eczemas. Mas quando essas alterações persistem ou não respondem aos tratamentos habituais, vale investigar outras causas. Em entrevista recente ao UOL VivaBem, o dermatologista Carlos Barcaui, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explicou por que o linfoma cutâneo de células T — um câncer raro que tem origem em células do sistema imunológico e se manifesta principalmente na pele — costuma ser confundido com condições mais comuns.

Segundo o especialista, essa semelhança é um dos principais desafios do diagnóstico, já que nas fases iniciais as lesões podem lembrar psoríase, dermatite ou até reações a medicamentos. Ele reforça, porém, que a doença é rara e que nem toda alteração inflamatória na pele deve gerar preocupação.

Por que não é considerado câncer de pele tradicional

Diferente do melanoma e dos carcinomas, que surgem de células da própria estrutura da pele, o linfoma cutâneo de células T tem origem em linfócitos T do sistema imunológico. Essas células têm uma tendência natural de migrar para a pele, o que explica por que os primeiros sinais aparecem justamente ali.

Existem dois principais subtipos: a micose fungoide, mais frequente e de evolução lenta, com manchas que podem evoluir para placas e, eventualmente, tumores; e a síndrome de Sézary, forma mais rara e agressiva, associada a vermelhidão intensa e presença de células malignas no sangue.

Diagnóstico exige atenção a sinais persistentes

Como o quadro pode se confundir com doenças de pele comuns, o diagnóstico costuma levar tempo — em alguns casos, meses ou anos. Lesões que não melhoram com o tratamento habitual, que mudam de característica ou que voltam a aparecer merecem avaliação mais aprofundada, geralmente com biópsia de pele.

Tratamento e perspectivas

O tratamento varia conforme o subtipo e o estágio da doença, podendo incluir desde terapias aplicadas diretamente na pele até tratamentos sistêmicos em casos mais avançados. Embora a doença geralmente não tenha cura definitiva, pode ser controlada por longos períodos — especialmente quando diagnosticada em fase inicial, quando costuma ter evolução lenta.

O que fica de aprendizado

Diante de manchas ou lesões de pele que persistem, mudam de aspecto ou não respondem ao tratamento esperado, a orientação é buscar avaliação dermatológica. O diagnóstico precoce faz diferença tanto para o controle da doença quanto para a tranquilidade do paciente.